Açúcar “anda de lado” em NY e observa entrada precoce da safra brasileira

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     Porto Alegre, 12 de março de 2021 – A Bolsa de Nova York (ICE Futures US) para o açúcar teve um comportamento lateral, “andou de lado”, ao longo desta semana. O contrato maio, principal contrato, oscilou basicamente entre 16,00 e 16,50 centavos de dólar por libra-peso nos últimos dias, como destaca o consultor de SAFRAS & Mercado, Maurício Muruci.

     “Essa lateralidade é explicada pela redução na oferta da safra da Índia, que não deixa os preços caírem abaixo de 16, e pela antecipação da safra do Centro-Sul do Brasil, que pelo calendário começa em abril, mas que em fevereiro, segundo os dados da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), já teve mais de 1 milhão de toneladas de cana colhida”, afirma Muruci. Essa entrada precoce da safra brasileira, com aumento da oferta, ainda que em fase inicial, não permite que os preços avancem acima de 16,50. “Então temos esse equilíbrio de forças no curto prazo”, avalia.

     O petróleo também em relativa alta, se encaminhando para US$ 70 o barril, embora tenha recuado um pouco, ajudou a manter os preços sustentados em NY. Por outro lado, o mercado em NY também observa o comportamento volátil do dólar no Brasil. Altas da moeda americana contra o real tem efeito negativo nos preços, pois estimulam ainda mais as exportações brasileiras. Queda do dólar no outro sentido dá sustentação às cotações na bolsa, embora pressione para baixo os preços do açúcar no Brasil.

     No balanço da semana, o contrato maio em NY caiu de 16,40 centavos (fechamento da sexta-feira, dia 05) para 16,36 centavos de dólar no fechamento desta quinta-feira (11), apenas com leve baixa no comparativo (-0,2%).

     No mercado nacional, no mesmo comparativo da semana até a quinta-feira, em Ribeirão Preto, São Paulo, os preços caíram de 108,00 para R$ 106,00 a saca, baixa de 1,8%. Em grande parte essa baixa se explica pela queda do dólar no balanço semanal de R$ 5,682 na sexta-feira passada (05/03) para R$ 5,54 no comercial nesta quinta-feira (11).

     Em palestra on line na SAFRAS Agri Week, na quarta-feira, Muruci destacou a estimativa de SAFRAS & Mercado de uma produção de 43,5 milhões de toneladas em 2021/22, com aumento de 10,6% sobre a temporada anterior. “O clima, durante a entressafra, tem favorecido os canaviais”, disse o analista.

     Para as exportações, a expectativa é de embarques de 34 milhões de toneladas pelo Brasil, com alta de 5,89%. “As condições têm favorecido as exportações, combinando dólar em elevação e bons preços futuros. Somente os prêmios não estão colaborando”, explica o analista.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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