Comercialização de café alcança 53% da safra 2021/22

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     Porto Alegre, 13 de agosto de 2021 – A comercialização da safra brasileira de café de 2021/22 até o último dia 10 de agosto atingia 53% do potencial de produção, contra 48% do mês anterior. O dado faz parte de levantamento mensal de SAFRAS & Mercado. O percentual de vendas é superior a igual período do ano passado, quando girava em torno em 51% da safra. O fluxo de vendas também está bem acima da média dos últimos anos para o período (40%).

     Assim, já foram negociadas 30,17 milhões de sacas de uma produção estimada em 2021/22 por SAFRAS & Mercado de 56,5 milhões de sacas.

     Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, embora a geada no Brasil tenha feito o preço disparar no mercado físico interno, isso não se traduziu em um aumento tão expressivo no fluxo de negócios. A quebra na safra brasileira 2021 e as perdas potenciais para a safra 2022 devem reduzir a oferta brasileira nos próximos dois anos. “E mesmo que os preços estejam muito atrativos, prevaleceu, em um primeiro momento, a cautela entre os vendedores por conta das dúvidas sobre o potencial produtivo brasileiro. A aposta em preços ainda mais altos também favoreceu essa postura mais curta dos vendedores”, aponta.

     Ele ressalta que ainda não se tem uma dimensão exata das perdas com a geada. “A ideia preliminar de SAFRAS é que girem entre 7% a 12% do potencial produtivo de 2022. Mas uma situação mais clara somente virá depois das chuvas e com as primeiras floradas da safra 2022. Enquanto isso, a incerteza deve segurar o ímpeto dos vendedores”, comenta. Os preços dos cafés melhores continuam acima da referência de R$ 1.000,00 a saca e, mesmo assim, os negócios continuam amarrados. Barabach colo que o dólar relativamente valorizado colabora com a firmeza dos preços. Observa que onde se viu um pouco mais de atividade foi na região das Matas de Minas, que não foi atingida pelas geadas, e para o conilon. Esse último puxado pela forte demanda de torrado e moído doméstico, diz.

     A comercialização de arábica alcança 52% da safra brasileira 2021, segundo o levantamento de SAFRAS. Mesmo com uma postura mais comedida do produtor, sustenta um fluxo de vendas apenas ligeiramente abaixo de igual período do ano passado, quando 53% da safra havia sido vendida. Mas ainda bem acima da média para o período, que gira em torno de 39% da safra. “O percentual alto de comprometimento por parte dos produtores, especialmente na região do Cerrado e Sul de Minas e na Mogiana paulista, justifica esse comportamento dos vendedores, apesar da disparada no preço”, avalia Barabach.

     O destaque positivo mais uma vez vai para as vendas de conilon, salienta o consultor. “A procura da indústria doméstica, em particular de torrado e moído, ajudou a impulsionar os preços no mercado interno. O preço do conilon foi acima da linha de R$ 600,00 a saca, o que trouxe mais vendedores para o mercado”, aponta. Com isso, as vendas de conilon chegam a 55% da safra, dando um salto de 9 pontos percentuais em relação ao mês anterior. Superam com folga os 45% vendidos em igual período do ano passado, bem como, estão bem acima dos 44% em média dos últimos cinco anos para o mês de julho.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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