Copom muda de postura e Selic superará 6% até final de 2021

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Edifício-sede do Banco Central no Setor Bancário Norte, em lote doado pela Prefeitura de Brasília, em outubro de 1967

     Porto Alegre, 17 de junho de 2021 – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deixou claro no comunicado de ontem que vai conter a aceleração da inflação com aumentos na Selic mesmo se for necessário eliminar o estímulo monetário à economia – o que deve colocar a taxa básica de juros em nível maior que 6% ainda este ano, segundo analistas.

     “O Copom está prestando atenção aos dados e à evolução desfavorável do balanço de riscos. Por isso, ficou visivelmente mais ‘hawkish'”, ou propenso ao aperto da política monetária, disse Alberto Ramos, chefe de pesquisa econômica para a América Latina do Goldman Sachs, em um relatório.

     “Com as mudanças nas orientações [contidas no comunicado], o Copom chegou perto de um momento ‘custe o que custar’. O grupo está pronto para acelerar o ritmo de alta no curto prazo (se as expectativas para a inflação em 2022 continuarem a se deteriorar), mas neste momento avalia que – e o modelo de previsão de inflação ampara esta visão – atingir a neutralidade na política monetária será suficiente para manter a inflação em 2022 alinhada à meta de 3,50%”, acrescentou.

     Ramos afirmou que no momento estima uma elevação de 0,75 ponto porcentual (pp) na Selic em agosto – em linha com a sinalização feita pelo Copom -, mas ressalta que vê 33% de chance de este aumento ser maior, de 1 pp, e que está crescendo a possibilidade de a Selic atingir 7% em 2022.

     O Rabobank também destacou a sinalização do Copom a respeito da possibilidade de a Selic subir mais rápido do que o previsto para conter uma potencial disseminação da inflação – uma estratégia que já foi defendida publicamente pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. “O Copom soou muito hawkish porque deixou a porta aberta para acelerar o ritmo de alta, se necessário”, disseram os estrategistas Mauricio Une e Gabriel Santos em relatório.

     Eles afirmaram que esta mudança de tom pode ser suficiente para conter as expectativas de inflação em 2022 e trazê-las para mais perto da meta do ano que vem, mas que ainda assim a Selic deve subir 0,75 pp em agosto e setembro e 0,50 pp em outubro, o que colocaria a taxa em 6,25%. “Em 2022, o Copom completaria o processo de normalização elevando a taxa Selic até 6,50% em

janeiro.”

     O Bank of America enxerga trajetória semelhante para a Selic. “Esperamos que o BC mantenha o ritmo de alta, com mais três aumentos de 0,75 pp (agosto, setembro e outubro) e mantenha a taxa estável em dezembro, colocando a Selic em 6,50%”, mantendo este nível ao longo de 2022, afirmou o economista da instituição para o Brasil, David Beker, em relatório. Antes, a previsão da casa era de que a Selic terminaria 2021 em 6,0%.

     A Capital Economics, que previa Selic terminando 2021 em 5,5% antes do comunicado de ontem, também revisou para cima sua projeção – agora espera uma taxa de 6,50% no fim do ano. No entanto, acredita que em 2022 o BC pode inclusive cortar a taxa básica novamente.

     “Continuamos acreditando que a inflação vai cair de forma acentuada em 2022, conforme a inflação dos alimentos e da energia recua. Isto deve evitar aumentos nas taxas no ano que vem. Pode inclusive abrir a porta para cortes de juros naquele ano – mas o escopo para fazer isso dependerá da extensão em que a proximidade da eleição presidencial em outubro intensificará os receios fiscais”, afirmou o economista-chefe da Capital Economics para mercados emergentes, William Jackson, em relatório. As informações são da Agência CMA.

     Revisão: Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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