Etanol não pode ter produção concentrada em poucos países – UNICA

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     Porto Alegre, 18 de novembro de 2021 – A produção global de etanol precisa ser diversificada para que essa energia renovável não corra o risco de sofrer crises como a experienciada em 1973 pelo mercado de petróleo (Choque do Petróleo), pois os grandes produtores do óleo estão concentrados geograficamente no Oriente Médio.

   O presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA), Evandro Gussi, em apresentação no The Sustainable Mobility: Ethanol Talks II India, defendeu uma cooperação ainda maior entre Brasil e Índia, os dois maiores produtores de açúcar do mercado mundial, que procuram intensificar o direcionamento e desvio da sacarose para a produção de etanol, em detrimento ao adoçante, atendendo assim à demanda global cada vez mais exigente e sedenta por combustíveis menos poluentes e que lancem menos gases do efeito estufa (GEEs) na atmosfera. 

     “Não podemos passar de novo por um choque do petróleo, de energia. Não podemos ter poucos ofertantes no mercado de etanol. Não pode ser algo concentrado no Brasil, nos Estados Unidos, e agora na Índia, que começa a intensificar a produção do biocombustível. Com mais países produzindo etanol, os benefícios serão sentidos por todo o mundo. Não teremos um mercado global de etanol eficiente com poucos ofertantes. O Brasil pode incrementar sua produção, talvez os Estados Unidos, a Índia certamente… Mas isso não será suficiente. A produção tem que crescer na Ásia, na África, onde o biocombustível está começando a tomar corpo. Essa é a nossa principal mensagem”, assinalou o presidente da UNICA.

    Segundo Gussi, o Brasil não está tentando vender seu etanol para a Índia, mera e simplesmente. “O que estamos fazendo é uma troca de experiências, de conhecimento e tecnologia. Não estamos fazendo propaganda do nosso etanol para os indianos, dizendo: nosso etanol é bom e eficiente, comprem nosso etanol. Queremos é que a Índia aumente sua própria produção de etanol. E isso já está funcionando por lá, e acreditamos que funcionará também na África e em outros países”, salientou. 

     Fábio Rübenich (fabio@safras.com.br) – Agência SAFRAS

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