Geada levou preços do café em julho em NY a níveis mais altos em 7 anos

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     Porto Alegre, 30 de julho de 2021 – O mercado internacional de café teve um mês histórico em julho. No dia 20, as regiões cafeeiras do Brasil tiveram uma madrugada gelada de geadas amplas e que atingiram lavouras no Paraná, São Paulo, sul e cerrado de Minas Gerais. Foi a pior geada desde 1994 e os prejuízos para a produção de 2022 do Brasil ainda precisam ser melhor avaliados. Mas a quebra de uma safra já afetada pela falta de chuvas em grande parte de 2020 e 2021 é dada como certa.

     Como resultado, muita agitação e nervosismo no mercado internacional e no físico brasileiro também. No dia 26 de julho, a Bolsa de Nova York (ICE Futures US) registrou máxima de 215,20 centavos de dólar por libra-peso no contrato setembro. US$ 2,15 a libra-peso é a cotação mais elevada desde outubro de 2014. Lá se vão 7 anos. Para completar, novas geadas foram previstas para a madrugada do dia 30 de julho, esta sexta-feira, com as notícias ainda sendo apuradas para ver se houve mais algum efeito.

     O mercado olha para a safra de 2022 do Brasil com preocupação. Porém, o momento é de mercado de clima e se não forem confirmados novos prejuízos por geada neste dia 30 será normal uma correção forte para baixo nas cotações, como está se observando no momento da confecção desta coluna, ao final da manhã desta sexta-feira, com os preços em NY despencando. Os fundos e especuladores desfazem-se de carteiras compradas retirando-se de sua posição cautelosa, desmontando a proteção climática do momento.

     Para observar a volatilidade de NY, basta dizer que o ponto mais baixo para o contrato setembro em julho foi no dia 06, quando a cotação chegou a ficar em 147,65 centavos. E chegou a passar de 215 centavos na máxima em 26 de julho.

     No balanço de julho na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato setembro do arábica acumulou valorização de 23% até o fechamento do dia 29, quinta-feira, saindo de 159,75 centavos ao fim de junho para 196,50 centavos no encerramento de 29 de julho. Em Londres, o contrato setembro do robusta subiu no mesmo comparativo 10,6% no mês.

     Já no mercado físico brasileiro de café, as cotações também dispararam e romperam a impressionante marca dos R$ 1.000,00 por saca. Em um ano as cotações mais que dobraram. Os produtores ainda avaliam os prejuízos com as geadas e travaram vendas futuras da safra de 2022 por não saberem quanto vão colher. Até porque estão adiantados nessas vendas futuras, tendo aproveitado os altos preços relativos. O momento é de ter calma, avaliar prejuízos, decidir o que fazer com as lavouras em relação a possíveis podas e etc.

     No balanço mensal, o dólar comercial subiu 2,1% até o dia 29, o que foi mais um elemento positivo para os preços em reais do café no país.

     No balanço de julho, o café arábica bebida boa no sul de Minas Gerais, com 15% de catação subiu 27,3% até quinta-feira 29, passando de R$ 825,00 para R$ 1.050,00 a saca na base de compra. O conilon tipo 7, em Vitória, Espírito Santo, no mesmo comparativo, avançou 18,2%, passando de R$ 495,00 para R$ 585,00 a saca.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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