Preços do café caíram nas bolsas e no Brasil em março

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   Porto Alegre, 01 de abril de 2021 – O mês de março foi de preços mais baixos para o café nas bolsas de futuros e também no mercado físico brasileiro. As notícias negativas sobre a pandemia do coronavírus e a chegada da safra brasileira pesaram sobre as cotações, mas no país as cotações caíram menos que nas bolsas pela oferta controlada pelo produtor.

     Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, no início do ano a leitura era de recuperação para os preços internacionais de café. Assim, o mercado conseguiria, enfim, reagir após ser pressionado ao longo de 2020. “O cenário mais positivo era fundamentado na quebra da safra brasileira 2021 e déficit na oferta global, bem como, na promessa da retomada da atividade mundial no chamado pós-covid”, avalia.

     Ele destaca que o começo do ano confirmou as expectativas. “Tanto que o arábica nova-iorquino, embalado por um forte aporte financeiro de fundos, chegou a romper a linha de 140 cents. Mas o café não segurou a onda de alta e acabou desmanchando. E na queda perdeu a linha de 130 cents”, indica. Barabach ressalta que os fundamentos não mudaram tanto, uma vez que segue a ideia de quebra da safra brasileira 2021 e déficit na oferta global. A principal alteração está atrelada ao mercado financeiro mundial. “O preço das commodities (índice CRB) não confirmou a leitura positiva, levando à saída dos fundos. Parte é correção diante do exagerado otimismo para 2021. O fato é que os casos de Covid-19 seguem altos, apesar do avanço da imunização. E isso, naturalmente, leva a uma revisão nas projeções de crescimento do PIB em 2021, mexendo com o preço dos ativos para baixo”, comenta.

     Outro aspecto citado pelo consultor é a alta do dólar. A divisa norte-americana voltou a ganhar valor em relação a outras moedas, especialmente às emergentes. O DXY, que chegou a trabalhar abaixo de 90 pontos, atualmente está acima dos 93 pontos. E dólar alto “joga” contra os preços das commodities. O café, dado a vulnerabilidade, acabou fraquejando junto com índice CRB e DXY.

     No lado fundamental, pondera o consultor, pesou a proximidade da safra brasileira, com a colheita de conilon ganhando corpo já a partir do mês de abril. E também pressiona o clima mais favorável à granação do arábica (formação), o que ajuda a aliviar um pouco da tensão com a menor oferta desse ano do Brasil. 

     Para Barabach, o mercado de café segue vulnerável à volatilidade financeira. “É importante que sustente a linha de 125 cents, pois isso traria fôlego para buscar o patamar de 130 cents, dando vazão ao movimento de reconstrução de alta”, diz. A quebra da safra de arábica do Brasil, em torno de 30%, é um fator de suporte. Por outro lado, o distanciamento negativo da linha de 125 cents coloca próxima a linha de 120 cents, e, com ela, a confirmação do desmonte de alta. “O fator de pressão poderia ser o dólar alto e o ambiente econômico mais arisco”, conclui o consultor.

     No balanço de março na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato maio do arábica acumulou baixa de 10,2%, tendo fechado fevereiro em 137,50 centavos de dólar por libra-peso, e março em 123,50 centavos. No primeiro trimestre em NY, o contrato maio acumulou queda de 5,1%. Em Londres, o contrato maio do robusta caiu no mesmo comparativo 8,9% no mês e no trimestre recuou 3,8%.

     Já no mercado físico brasileiro de café, as cotações recuaram também, mas menos do que nas bolsas. E isso se explica pela postura do produtor em dosar a oferta. O produtor está capitalizado, e sai apenas para negociar nos movimentos positivos de bolsa ou dólar. O dólar teve muita volatilidade em março, mas no acumulado do mês teve alta de apenas 0,5%, saindo de R$ 5,602 ao final de fevereiro para R$ 5,629 no fim de março.

     No balanço de março, o café arábica bebida boa no sul de Minas Gerais, com 15% de catação, caiu de R$ 735,00 para R$ 700,00 a saca de 60 quilos, representando uma desvalorização de 4,8%. O conilon tipo 7, em Vitória, Espírito Santo, no mesmo comparativo, caiu 3,3%, passando de R$ 450,00 para R$ 435,00 a saca.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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