Preços do café seguem muito firmes no Brasil, mas produtor dosa oferta

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     Porto Alegre, 17 de setembro de 2021 – O mercado físico brasileiro de café manteve um cenário de preços muito firmes nesta semana. A volatilidade para o arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures), com altos e baixos, mas com o mercado mantendo uma faixa de atuação de preço, atrapalha o ritmo de negócios, mas os produtores dosam a oferta e os cafés arábica de bebidas “mais fracas de qualidade” e o conilon seguem procurados e com preços em elevação.

     Na Bolsa de NY, que baliza o mercado do arábica, entre os últimos sete dias de 09 a 16 de setembro, a máxima foi alcançada no contrato dezembro na quinta-feira anterior, dia 09, quando o mercado tocou em 191,10 centavos de dólar por libra-peso, e a mínima dia 14, quando o preço chegou a cair a 182,50 centavos. As previsões de chuvas benéficas aos cafezais brasileiros ao final de setembro e durante outubro, favoráveis à abertura e pegamento das floradas que vão resultar na safra de 2022, exerceram pressão sobre as cotações.

     Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, enquanto espera as floradas no Brasil, o café deve seguir vulnerável a outros mercados, em particular o índice CRB de commodities e o petróleo. Ele destaca que o contrato dezembro oscila dentro do intervalo estreito, esboçando suporte acima de 180 cents e resistência em 190 cents na ICE US. “O rompimento para cima ou para baixo de uma dessas linhas traria direção de curto prazo aos preços do café em NY”, comenta.

     No balanço semanal, o contrato dezembro em NY subiu 0,4% entre as quintas-feiras 09 e 16, tendo fechado em 187,45 centavos de dólar por libra-peso no dia 09 e em 188,15 centavos no dia 16. Destaque mais uma vez para o robusta na Bolsa de Londres. As indústrias estão demandando mais o robusta em seus blends diante dos altos custos do arábica. E com os estoques do robusta recuando mais problemas logísticos no Vietnã, com restrições pela covid e falta de contêineres, entre outros, as cotações vão avançando. No mesmo balanço semanal, o robusta em Londres subiu 2,8%, fechando esta quinta-feira 16 a US$ 2.107 a tonelada.

     No mercado físico brasileiro, Barabach lembra que o café segue muito firme e atrelado à oscilação de ICE e dólar, especialmente para o arábica de bebida melhor. “Mesmo sujeito a correções, os preços continuam muito próximos das máximas, o que mantém o vendedor tranquilo e reforça a postura curta da oferta. Com esse cenário de preços altos e diante de um produtor bem capitalizado, o mercado segue curto de negócios, mesmo extremamente convidativo à venda”, indica.

    O arábica de bebida boa do Sul de Minas Gerais terminou esta quinta-feira (16) na base de compra em R$ 1.080,00 a saca de 60 quilos, alta de 0,5% contra a quinta-feira anterior (09), quando estava em R$ 1.075,00 a saca. Mas, o destaque entre os arábicas continua sendo as bebidas mais fracas. O arábica rio com 20% de catação na região das Matas de Minas é indicado de R$ 980,00 a R$ 990,00 a saca. “A menor oferta disponível na atual temporada, devido à colheita feita em clima predominantemente mais seco, explica a firmeza adicional dessa descrição”, diz o consultor.  

    O conilon também é destaque no Brasil. “A indústria de torrado e moído segue agressiva, garantindo firmeza dos preços. A alta na ICE Europa (Bolsa de Londres) eleva a concorrência externa, justificando essa postura”, observa Barabach. No balanço semanal, o conilon tipo 7 em Vitória, Espírito Santo, subiu de R$ 730,00 para R$ 755,00 a saca, elevação de 3,4%.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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