Pressão externa e dólar derrubam preços do algodão no Brasil

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     Porto Alegre, 18 de junho de 2021 – A combinação de preços internacionais com queda expressiva e dólar perdendo força em relação ao real forçou uma retração das cotações do algodão no mercado doméstico. No CIF do polo industrial paulista, a fibra fechou a quinta-feira (17) a R$ 4,90 por libra-peso, recuando 0,71% em relação à véspera e no menor patamar desde o último dia 19 de abril. Em 30 dias, a queda chega a 4,22%.

     No FOB exportação do porto de Santos/SP, o produto brasileiro fechou o dia 17 cotado a 95,63 centavos de dólar por libra-peso (c/lb), recuando 1,54% em relação ao fechamento anterior. Ante ao contrato julho/21 da Ice Futures, a pluma brasileira fechou a um valor 13,6% superior, contra 12,5% do dia anterior. “Isso mostra que a queda interna não foi suficiente para melhorar a competitividade externa”, frisa o analista de SAFRAS & Mercado, Élcio Bento. “Há uma semana, era 9,8% superior”, lembra.

     As exportações brasileiras de algodão bruto somaram 47,195 mil toneladas até a segunda semana de junho (8 dias úteis), com média diária de 5,899 mil toneladas. A receita com as vendas ao exterior totalizou US$ 83,559 milhões, com média diária de US$ 10,444 milhões. As informações são do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Em relação à igual período do ano anterior, houve avanço de 118,48% no volume diário exportado (2,700 mil toneladas diárias em junho de 2020). Já a receita diária teve acréscimo de 161,92% (US$ 3,987 milhões diários em junho de 2020).

     No âmbito externo, destaque para o relatório mensal divulgado pelo Ministério da Agroindústria da Argentina. A área de algodão prevista na Argentina é de 410 mil hectares na safra 2020/21, 8,9% abaixo dos 450 mil hectares cultivados na temporada anterior (2019/20). Em relação ao relatório anterior, de 440 mil hectares, houve queda de 6,8%.

     Já a produção foi prevista em 1,05 milhão de toneladas, queda de 4,5% sobre a temporada anterior. Frente ao mês passado, também houve retração de 4,5%. O Ministério estimou a produção de 1,1 milhão de toneladas em 2019/20, alta de 26,4% frente a safra 2018/19, quando somou 870 mil toneladas.

     Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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